ABRAMENTE

viagens e idéias ao vento

Quinta-feira, Abril 10, 2008


Caiu aqui por algum motivo inexplicável?

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:-)
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Quarta-feira, Dezembro 05, 2007

Afinal, o que buscamos?


Palpites filosóficos ou mesmo esotéricos sobre a vida todo mundo tem. Afinal, cada um carrega a sina existencial de ser o "guru" de si próprio. Num mundo imerso numa sopa de teorias e religiões avulsas e descartáveis, é preciso se desdobrar e sair fazendo verdadeiras acrobacias mentais para conseguir sintetizar algo que faça um pouco de sentido para se levar adiante a própria vida.

Sempre me dá uma ponta de inveja daqueles que aparentemente seguem suas vidas alheios a qualquer reflexão. Talvez pelo fato de que se isentando da responsabilidade de pensar sobre seu próprio papel nesse mundo eles vivam mais felizes, ou talvez pela inquietante constatação de que quanto mais perguntas faço, menos respostas encontro, e mais respostas que eu tinha como verdades absolutas vão se esfacelando diante dos meus olhos cada vez mais espantados com a complexidade e a falta de sentido do universo.

Vivemos oprimidos por basicamente duas forças. A primeira e mais básica nos impele à luta pela sobrevivência, tal qual bois que pastam cada vez mais longe para obterem sua porção de capim necessária à sua sobrevivência diária. ( Aliás esse é o cerne do problema mais básico e mais absurdamente descuidado dos países de terceiro mundo e da humanidade de um modo geral - a simples falta do que comer - que acaba por privar grande parcela da população mundial do outro tipo de alimento fundamental para que se viva ao menos dignamente, que é justamente a reflexão sobre o viver, seja por meio da razão, da cultura, ou do contato humano em condições saudáveis e plenas.)

A outra força traz em si o mal da angústia. Angústia por ter que viver decidindo, deixando de lado coisas e pessoas que nos são caras e abrindo mão de futuros possíveis em troca do urgente, do essencial, do imediato constante que é a vida. Angústia por viver sem a possibilidade de rascunho, sem a possibilidade de "reiniciar" a vida ao ponto de partida como fazemos em nossos videogames. Angústia por nos sabermos imperfeitos e sem nem mesmo algo concreto em que nos espelhar. Atormentados pela imprecisão da vida diante do nossos ideais geometricamente perfeitos e inalcançáveis, seguimos em busca do que nos possa preencher o abismo do desejo. Essa força não cessa até o último dos nossos dias, embora haja quem venda terrenos no céu oferecendo como brinde aos afortunados compradores a "cura" temporária para o sentimento de vazio.

A resultante das duas forças é a responsável pelo surgimento da cultura em seu sentido mais amplo. A cultura é o o esqueleto do qual a humanidade se serve para organizar as suas necessidades básicas. Por um lado, a urgência física do alimento, do sexo, das suas necessidades biológicas. Por outro, a ânsia humana por sentido, por explicações lógicas ou não que lhe permitam lidar com a experiência subjetiva de estar no mundo e se deparar com a estranha sensação de se saber algo, mas não saber o quê nem o porquê. E das possíveis combinações mais ou menos niveladas dessas duas características humanas as mais diversas culturas se criaram, as religiões se estabeleceram e cada grupo humano foi delineando suas particularidades.

Caminhamos, dia a dia, reiventando nossas vidas e verdades conforme o balanço em que estiverem essas duas forças no contexto das nossas vidas.

Já diante da problemática pessoal resultante da interação particular dessas duas forças em sua realidade de vida, muitos são os que se desesperam e desistem da luta, abrindo mão de sua própria vida. Paradoxalmente, é fácil sentir a fome de vida que temos por instinto: prender a respiração por vontade própria tem limite - a vida não aceita ser negada por aquele que a possui, ela sempre renova o impulso desesperado por existir ( a menos que se faça como os infelizes realmente atormentados pela angústia, que se lançam de prédios ou tomam algum tipo de veneno que acaba por ser uma grande rasteira na vida, que não tem como reagir). Como a sensação da angústia possui um sem-fim de gradações, pode ser o motor gerador desde a arte e o impulso de viver mais confortavelmente, seja por que meio for, até mesmo o suicídio, nos casos em que já não permite nem mesmo que o ser humano disponha de sua razão plena.

Ocorre que, no ser humano, essa ânsia de existir é muito mais profunda e poderosa que nos nossos irmãos de Terra, os demais animais. Nos diferenciamos deles na medida em que não vivemos simplesmente por viver, mas necessitamos de motivos, criamos sonhos e alimentamos desejos. Acima de tudo, desejamos o contato, a troca com o outro. Buscamos em nossos semelhantes naturais a resposta que não encontramos em nós mesmos e a possibilidade dessa busca é algo que alenta nossas vidas. Formigas sem formigueiro e sem rainha, sem lar e sem pais, seguimos, em filas ou não, sedentos por algo que nos torne um pouco mais inteiros, um pouco mais humanos.

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Quinta-feira, Outubro 11, 2007


De vez em quando resolvo desfiar a mim mesmo, boto a cara em frente à tela branca, essa, brilhante, talvez a única coisa que me compreenda perfeitamente. É um desafio que começa perdido, palavras são inúteis, são vento, e tudo na vida, como já dizia o eclesiastes, tudo é vaidade. Então que se foda tudo e junto qualquer resquício de bons modos.

Pra puta-que-o-pariu os bons modos e o romantismo dos poetas... Quero que um raio parta a falsidade das letras, e que se fodam os românticos iludidos.

O mundo nunca foi e nem nunca será aquilo com que sonhamos, as flores são inúteis e seu perfume mais ainda.

Tudo e todos são uma mentira.

À merda este texto filho-da-puta.
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Segunda-feira, Agosto 27, 2007


Lucubrações à beira da estrada


Tenho plena convicção de que sou, em essência, um amálgama de pensamentos de outras pessoas, conceitos forasteiros, idéias dos que passaram por minha vida, dos que não passaram, de tudo que me inculcaram durante o tempo que vivi até agora. Personalidade, vontade própria, livre-arbítrio, tudo isso, no meu prisma, são meros mecanismos mentais que a natureza inventou pra nos manter longe de crises existenciais e abalos depressivos inerentes à lucidez resultante dessa constatação. Mas me sinto feliz.

Me considero um solitário. Não no sentido negativo, não, apenas me sinto melhor, na maioria das vezes, só. Embora isso não seja sempre tão linear assim... Às vezes me desespero. Mas nada muito crítico não.

Sou grato à natureza por ter me dotado duma certa capacidade imaginativa. Embora isso resulte numa dispersão freqüente, e por isso quase todo mundo diga que eu fico sempre "voando", pelo menos eu viajo sem a ajuda de químicos e outras coisinhas mais que não fazem nada bem aos neurônios.

Uma lista do que adoro e do que odeio (acho que é uma maneira mais prática de se traçar algo como um perfil):

Odeio: ilusão, ignorância, grosseria, jiló, chatice, impaciência, chuchu (água pura pô), pressão, cobrança, frio, cigarro, falta de assunto, burrice, materialismo exagerado, ciúme, manipulação, KLB, televisão domingo (uma mer**), aliás, televisão raramente presta, gente fútil, estupidez, pressa, cheiro de hospital, festa desanimada, babaquice, gente baixo-astral e por aí vai...

Vamos falar de coisas boas! Coisas que adoro: música, café!, cinema, livros, calor, frango com quiabo (mineiro que se preze tem que gostar uai), carinho, tranqüilidade, silêncio, casa, ilusão em doses homeopáticas, quarto, festa com amigos, livros de novo, mulheres, lindas e inteligentes ( quando reúne as duas coisas é bão demaissssss), paciência, poesia, filosofia, música clássica, música popular, escutar, ouvir, atenção, aprender, conversar, namorar e mais um monte de coisa...

Meu contágio pelo mal do amor se deu durante meu pré-escolar. Me apaixonei pela garota que melhor desenhava. Achava simplesmente fantástico ela conseguir colorir do lado de dentro do desenho, enquanto eu rabiscava de modo grosseiro o papel inteiro... Das duas uma, ou eu era um incompetente total ou ela tinha mãos abençoadas, ela era um anjo. Acreditei na segunda hipótese. Tudo foi por água a baixo no belo dia em que um certo coleguinha levou um buquê de flores pra ela. Filho da mãe. (Foi o mesmo que me tirou, numa esperta jogada de seu pai, o título de "rei-da-pipoca" da festa junina, no mesmo ano... Eu estava na frente, vendi um monte de rifas. O paizão dele assinou o cheque na hora, ultrapassando de longe meu suado número. Tudo bem. Fui "príncipe-da-pipoca" com muita honra, guardo estas fotos com carinho.) Logo depois me apaixonei pela minha colega de classe, na primeira série. Ela era quietinha, bonitinha, delicadinha, tinha uma voz tão lindinha... meu fraco, aliás... Mas ficou só nisso. Amores platônicos seriam uma constante na minha vida à fora... Felizmente contrabalançados por tórridas paixões...

Não acredito em amor perfeito, predestinação ou coisa parecida. Pra mim o que pode acontecer é de encontrar alguma pessoa que de tal maneira bata comigo, que seja tão carinhosa, e compreensiva e tudo mais, que chegue a se parecer muito com minha alma gêmea (uma idealização boa). Só isso. (Como se fosse pouco :-) )

Minha religião é a vida, minha doutrina é o otimismo. Pra mim o sentido da vida é eminentemente prático: se vive pra nascer, procriar e morrer. Tudo o mais está entre os dois extremos... É aí que está o viver. Deus? Deus é isso tudo, é meu computador, meu pé, seu pé, a árvore lá de fora, a criança brincando com outra...

Minha primeira lição sobre preconceito aprendi na sexta-série. Ao fazer minha matrícula no colégio, me perguntaram sobre quantas vezes eu "já tinha sido expulso de outros colégios". Putz. Recepção mais calorosa seria impossível. Colocaram-me numa sala que os próprios professores descreviam como problemática. Só havia alunos ditos "ruins". Na verdade, havia sete turmas de sexta série, de A até G (numa espécie de hierarquia idiota). Não sei por que critérios, me puseram na E. Na sala dos alunos ruins. Pois bem. Nunca conheci gente tão sincera, amiga, inteligente, sonhadora, sensível. No outro ano fui "promovido" pra turma B. Ainda bem que mudei de cidade. Não agüentava aqueles bobos convencidos da turma B.

Dia a dia vou esbarrando em coisas que imaginava impossíveis. Isso é bom, parece que mantém a gente vivo... Como disse um amigo: a gente é como uma roda em movimento, se ela parar, ela cai. ( E olha que me lembro estudando isso em Física... putz, realmente tem tudo a ver.)

Sou contraditório? Claro. Quanto mais aprendo, mais sei que não sei quase nada. O filósofo tava certo, danado... E o que é minha cabeça pra se achar capaz de usar a razão? E a própria razão, o que é? Eu sei lá, não confio tanto nela, não. Amanhã boto o mundo de cabeça pra baixo.

Ah... Também, se pensarmos bem, é tudo uma questão de ponto de vista... Afinal, definitivamente, o mapa não é o território.

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Quinta-feira, Julho 05, 2007


correnteza

Em algum lugar do mundo há alguém
sentado à beira duma pequena ponte
observado por uma lua bem grande
balançando os pés descalços na superfície de um riozinho qualquer, feito criança
chutando as poças d'água deixadas
pela chuva passageira daquelas tardes sem fim
em que seu único objetivo era aproveitar o dia inteiro
como se fosse o único de sua vida. E era.

Lavou os pés naquele rio e atravessou a ponte, aliviado.

**
É no silêncio frio da distancia que afloram as palavras não ditas no calor gritante da proximidade.

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Segunda-feira, Junho 25, 2007


Viagens


Eu não compreendo minha própria mente...

Quando estou contigo me sinto uma criança, fico bobo, mais leve, mais mais...

Talvez me tenham faltado as palavras... Não sou bom com elas. Jogo no olhar. Jogo no toque. E me desfaço feliz imaginando futuros possíveis... Sonho. Sonho demais, não sei se isso é uma virtude ou algo que me faz sofrer.

Você significa muito pra mim. Não cabem mais palavras.

Acho que te encontrei.


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Domingo, Junho 17, 2007

Post antigo... Dando uma percorrida pelo blog, vi que continua refletindo o que eu penso... e já se passou um ano inteiro desde que escrevi isso...

Encontros

Decidi que havia de escrever algumas palavras sobre o amor. Não que eu respeite a famigerada data comemorativa do dia dos namorados ( sobre o qual se pode dizer o mesmo que sobre o dia das mães, dos pais, dos irmãos, do avô e o diabo a quatro...Grandes cartadas mercadológicas). Considere-se aqui que, muito embora este escriba não compartilhe do sentimento festivo de tal data, ao menos o considera oportuno para discorrer sobre o amor. Muito embora também este que vos fala não seja lá tão conhecedor do referido sentimento, nem esteja neste exato momento sob o jugo de seus caprichos. Mas vá lá, todo mundo nessa vida tem seus palpites sobre as coisas do coração. E pensar o amor há de ser, por um instante, vivê-lo.

Eu gosto de pensar que não existem grandes amores predestinados. Não me entra na cabeça essa coisa de que ¿está escrito nas estrelas¿. Primeiro porque não sei ler estrelas... E as estrelas estão tão distantes... Isso permitiria que meu amor perfeito estivesse do outro lado do mundo, e com a bicicleta de que disponho não seria fácil dar a volta no globo. (Tudo bem, suponhamos, de maneira otimista, que minha alma gêmea tivesse um jatinho particular, soubesse ler estrelas e ainda por cima fosse uma tremenda gata... Concordo, extrapolei no otimismo.) Definitivamente amores escritos nas estrelas não são possíveis. Há muitas dificuldades técnicas...

Existe uma forma de pensar o amor como uma busca duma certa ¿completude¿. O ser humano seria intrinsecamente incompleto. O que parece, à primeira vista, paradoxal, se levarmos em conta o conceito que se faz de ¿ser humano¿, algo separado dos demais, ¿completo¿. E quem em plena consciência de si diria o contrário? Afinal num mundo como o nosso ninguém pode ser incompleto. Sinal de fraqueza. Fragilidade. Ponto fraco. Não, não há espaço para o amor na sociedade humana. Em nenhuma. Simplesmente porque não há espaço para o incontrolável na vida burocrática da pessoa vivente em sociedade. É um erro baixar a guarda: dar a cara a tapa e enxergar a face do amor é olhar nos olhos da medusa. A diferença do que acontece hoje pra lenda antiga é simples. Segundo o mito, olhar para a medusa era fatal, virava-se pedra. Nos dias de hoje se você a encarar é fraco (necessita da completude) e se a evitar você já é uma pedra (insensível). Sortudos os que encontram o meio termo entre a razão e a loucura. Pascal jogou a toalha: pra ele ¿o coração tem razões que a própria razão desconhece¿.

O amor surge, cresce e reside na dimensão do incontrolável, do perigoso, do risco sublime daqueles que atiram longe os sapatos bem lustrados da razão e calçam as humildes sandálias da loucura. Sem medo de escorregar. Aliás, o amor é mesmo algo como um tombo: andando sério na calçada da vida você tropeça na esquina da paixão. Meloso? Sim. Mas não deixa de ser uma boa analogia.

Gosto da idéia de que existam grandes encontros. Se pra mim a vida é uma grande viagem, pra você ela é uma grande batalha e pro nosso vizinho é uma grande festa, então não faz sentido que o amor seja uma coisa só. Ele é mais um nó, um encontro de linhas na teia da existência, já que cada um é seu próprio universo, com suas próprias realidades e posições, seus próprios desejos e medos, aflições e esperanças. Se o amor é um encontro, já não há mais a rigidez do destino estampado nas estrelas: se você é impaciente e eu sou pior ainda, há uma chance pra nós dois. Podemos fazer as coisas darem certo. Se seu caminho não está traçado, há uma chance de você se tornar a alma gêmea de alguém. Se minha vida não é um livro pronto e acabado, posso amar aquela garota do ônibus que vi anteontem e fiquei vidrado. Talvez ela não me corresponda... É o preço da liberdade.

Já se perguntou porque as grandes histórias de amor da tv e do cinema em geral terminam no encontro? Se o leitor e eu pensarmos de forma parecida, certamente ficamos intrigados sobre o porquê de o autor não explicitar no filme cenas da vida ¿feliz pra sempre¿ do casal perfeito. É mais ou menos a história da felicidade eterna. Difícil de acreditar. É um ideal. Mas isso de maneira alguma ofusca o brilho daquele amor: o milagre, na verdade, já está feito. O milagre é o encontro.
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Sexta-feira, Maio 18, 2007

então você olha pro relógio, preso ao seu pulso... e se pergunta como é que aquele minúsculo instrumento pode guardar tanta coisa... e vê que já é tarde da noite... e você caminha, apenas caminha... e vê que, embora fosse tudo aquilo que você sempre pediu a deus, as árvores simplesmente não falam com você... elas simplesmente não se interessam por seu coração partido... as pedras não falam com você... elas simplesmente não compreendem suas emoções petrificadas... o mar não fala com você... ele simplesmente ignora seu oceano de lágrimas... alguns de seus amigos dormem... alguns deles atiram pedras na superfície de alguma lagoa de águas tranquilas... alguns desfazem pétalas de alguma rosa, esperançosos de que a contagem termine em bem-me-quer... alguns se esbaldam da alegria que tanto lhe falta... outros talvez caminhem solitários em alguma calçada, como você mesma o faz agora... e nem mesmo as mais doces lembranças dos momentos em que estiveram todos ao seu lado são capazes de modificar seu ânimo... e você caminha... caminhar é distrair o pensamento... e as árvores e as pedras e o mar, em silêncio... e a dureza do chão faz você perceber que seu coração foi amarrado ao mundo porque lhe foi permitido sentir... e tocar... viver... e atravessando o silêncio das horas, percebe os primeiros raios de sol... e algo em você se lembra de quando seu sorriso refletia o brilho daquela estrela... de quando a brisa que agora beija seu rosto carregava consigo os sonhos mais vívidos de amor... e uma semente de esperança ganha nova vida dentro do seu peito.
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Terça-feira, Novembro 14, 2006

...

Não joguei na loteria, mas ganhei, ou pelo menos admirei, um prêmio mais valioso que as maiores fortunas. Prêmio arredio, escorria das minha mãos como água. Nunca o tive, embora por alguns momentos tenha pensado justo o contrário.

Contemplei sua exuberância e brilho, senti sua energia vibrar em todas as direções, como o ouro mais puro e cintilante, o diamante mais polido jamais visto...

Escorreu como água.

-------------------------------

"
A vida é maior,
é maior do que você.
e você não sou eu
até que ponto eu vou chegar,
a distância nos seus olhos,
oh não eu falei demais,
eu disse tudo
aquele sou eu num canto,
esse sou eu sob os refletores,
perdendo minha religião
tentando me igualar a você,
e eu não sei se posso fazer isso
oh não eu falei demais,
eu não falei o bastante
eu pensei ter ouvido você rindo,
eu pensei ter visto você cantar
eu pensei ter visto você tentar
cada suspiro,
de cada amanhecer eu estou,
escolhendo minhas confissões
tentando ficar de olho em você,
como um tolo cego e ferido
oh não eu falei de mais,
eu disse tudo
Considere isso,
considere isso,
a dica do século
considere isso,
uma mágica,
que me deixou de joelhos,
pálido
Águas caindo,
mares revoltosos vindo
me fazer de palhaço
agora eu falei demais
eu pensei ter ouvido você rindo,
eu pensei ter visto você cantar
eu pensei ter visto você tentar
mas isto era só um sonho,
mas isto era só um sonho
aquele sou eu num canto,
esse sou eu sob os refletores,
perdendo minha religião
tentando me igualar a você,
e eu não sei se posso fazer isso
oh não eu falei demais,
eu não falei o bastante
eu pensei ter ouvido você rindo,
eu pensei ter visto você cantar
eu pensei ter visto você tentar
mas isso era só um sonho,
tente,
chore,
porque tentar,
foi apenas um sonho.
Apenas um sonho,
apenas um sonho
sonho.
"
REM, 'loosing my religion'

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Que o fim* seja sempre o começo de grandes empreitadas. Ou, no mínimo, novos pequenos milagres.

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Quarta-feira, Outubro 11, 2006


Apenas momentos


A gente é assim. Sempre parece estar à beira de um precipício: nas nossas costas tudo aquilo que vivemos, aquilo que somos, nos empurrando com força; à nossa frente uma neblina de incertezas, a falta de contraste do porvir.

No meio disso a gente sempre se esquece de onde está pisando... Como diria o famoso psiquiatra, a gente foca no futuro distante, com nossa mochila pesada de quinquilharias do passado, e acaba por deixar de comer o morango que nasce bem embaixo dos nossos pés. A um metro a gente cai no abismo, dois passos e dá de cara com um urso feroz, não importa, temos que comer o morango!

Isso é, de certa forma, o análogo prático do "eterno enquanto dure" do poeta: o tempo não precisa existir como uma corrente inexorável que delimita começo , meio e fim. Quando você se apaixona, simplesmente se esquece da noção de tempo, não é assim? É por isso que é eterno. Dale Carnegie chamava esta atitude de "viver em compartimentos diários hermeticamente fechados". Algo que, na prática, pode ser bem difícil de se conseguir.

Li uma vez que a gente perde muito quando deixa de apreciar o sol nascer... Vi algumas vezes... Confesso que faz tanto tempo que nem me lembro pra onde fica o leste. Acho que é preciso a gente achar o nosso leste de vez em quando, pra saber onde fica nosso norte.


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Sábado, Setembro 23, 2006



**postado na estrada - texto antigo aqui do blog mesmo**

A estranha inutilidade do saber

Lia outro dia uma matéria a respeito do Renato Russo que serviu como confirmação de uns pensamentos meus. A irmã de Renato descrevia um dia em que o encontrou enfurecido, derrubando uma estante cheia de livros. Ele, ao perceber que ela estava ali perto, disse a ela, frustrado, que já tinha lido todos aqueles livros, mas que não tinha encontrado as respostas que procurava.

É por isso que eu digo: encontre sua maneira de ser feliz. Note que talvez seja mais fácil viver uma vida mais simples. Imagine que você não entendesse esse monte de símbolos que chamam de palavras. Quanto sofrimento você evitaria (não iria ler isto aqui, por exemplo). Não leria as notícias tristes nos jornais, nem os aumentos dos preços das coisas, da comida, a queda do valor do seu salário. Não ficaria sabendo da corrupção política, não iria ler livros de Filosofia nem de auto-ajuda barata. Não leria sobre atentados terroristas, bombas, crianças reféns de malucos separatistas. Não iria ser obrigado a ler mentiras, e cair em algumas delas sem querer.

Você certamente não aprenderia palavras difíceis para explicar aquela coisa tão simples, tão fundamental, que é o amor, nem leria livros sobre como encontrá-lo ou fazê-lo durar para sempre. Você se contentaria com um simples olhar de alguém, dizendo: "como gosto de você!". E isso seria pra você a coisa mais bela desse mundo...

Não iria ter que se preocupar com concordâncias, colocações pronominais, orações dos mais variados tipos. Sua vida seria mais tranqüila.

Imagine que você não tivesse que ir à escola. Seria poupado de conhecer os grandes problemas do intelecto humano, os mistérios da mente e as mais dramáticas questões filosóficas. Você não teria dúvidas existenciais.

Imagine como você observaria, encantado, um outdoor e aquele monte de palavrinhas estranhas nele desenhadas. Você ficaria encantado com aquele mundo desconhecido de símbolos, teria aquela sensação de mistério de que só as crianças têm o estranho prazer de desfrutar. Não iria saber que, naquele papel gigante e colorido, está escrito , simplesmente, um anúncio de uma bebida.

Se você não tivesse sido introduzido no mundo das palavras, com certeza não iria olhar para o céu numa terça à noite e se perguntar:" que diabos estou fazendo aqui?".

Não iria gastar tempo lendo palavras de algum adolescente confuso...

Se você não conhecesse as palavras, não escreveria mensagens num blog, numa busca inútil por um alívio em que já não mais acredita.

Mas você, conhecedor das palavras, não desiste de viver nesse mundo complicado das palavras. Até porque desaprender tudo é uma tarefa impossível... E porque você conheceu a palavrinha "esperança", que sempre vai te fazer lembrar que, mesmo depois da pior tempestade, sempre vem a calmaria.

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Quinta-feira, Setembro 21, 2006


Quando será tarde demais?

Quando foi cedo demais?

E quando será o meio disso tudo? Nunca se sabe, só há sinceridade no silêncio, só há verdade no calar. Calar no vácuo.

Descer a escada e destruir todos os degraus.

O adeus que nunca mais será repetido, e ainda assim será sofrido, sentido e por fim, será, simplesmente, passado.

Aquilo que dizem nunca é a verdade. Nunca.

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Quarta-feira, Setembro 20, 2006

CINZA.

Tem horas que sou só eu, a janela e as lembranças. Lá fora é noite nublada - piorada pela miopia chata.

Aí vem aquela sensação de fim. Fim de alguma coisa. Algo que foge do meu controle. Simplesmente assim. Se eu pudesse desligar e não escutar, nem ver, nem sentir mais nada, por um prazo indefinido.

mania de tentar fotografar sentimentos e imprimí-los em letras: esforço fadado ao fracasso... Como se fosse alguém que os controlasse, como se estivesse fora do seu raio de influência...


somos apenas eu, um copo de café, a janela e um céu nublado.
é madrugada, a cidade em silêncio, chuva fina...
sonho com uma outra janela, talvez distante demais,
talvez aberta, talvez fechada, mas ainda assim, janela.

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Quinta-feira, Setembro 07, 2006



YOU TALK WAY TOO MUCH

Now we're out of time
I said it's my fault
It's my fault

Can't make good decisions
It won't stop
I can't stop

Give me some time, I just need a little time
Give me some time, I just need a little time
Give me some time, I just need a little time
Give me some time, I just need a little time

You talk way too much
You talk way too much
It's only the end
It's only the end...hey.

We don't get the news
He says why not?
Why not?

Forget what you heard
'Cause it won't stop
it won't stop

Give 'em some time, They just need a little time
Give 'em some time, They just need a little time
Give 'em some time, They just need a little time
Give 'em some time, They just need a little time

You talk way too much
You talk way too much
It's only the end
It's only the end as you know it...

"You're not supposed to say that
you taught me too much"
Is this how it ends?
Is this how it ends?


thes strokes / room on fire
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Terça-feira, Setembro 05, 2006


versos diversos


ontem te fiz poesia.
Te cantei flores,
te desejei retratos,
te possuí [incertezas].
Éterea que és.

Te observei olhos,
te imaginei brisa
te entendi pássaro
te percebi [estrela].
Porquanto distante.

te senti orvalho
te respirei perfume
te criei nuvem
te tive [palavras].
Enquanto vãs.

---------------/----------------

a paixão é um ônibus lotado, às 12:30, no horário do teu almoço, que apesar de tão incômodo é impossível deixar passar. Na verdade é sempre possível deixá-lo passar... Mas não é fácil.

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